A DOR DO CRESCIMENTO

A DOR DO CRESCIMENTO

Ninguém provoca nenhuma mudança significativa no mundo sozinho.

Na época da escola, eu tinha muito problemas com trabalhos em grupo. Meus amigos nem sempre tinham a mesma responsabilidade que eu na hora de fazer os trabalhos e com isso várias vezes acabei assumindo todas as atividades de última hora, virando noite ou acordando de madrugada para entregar o projeto. E garanto, você era ou com certeza conhecia alguém que era desse jeito.

Quando sai da escola / universidade e entrei no mercado de trabalho novamente começou a acontecer isso. Não necessariamente porque meus colegas de trabalho não entregavam, mas a síndrome de super homem de quem acha que dá conta de tudo, muito comumente atinge estagiários cheios de energia e doidos para aprender e mostrar trabalho. Para mim não existia a possibilidade de não terminar o projeto. Se os outros viam empecilhos minha tendência era sempre ignorá-los e assumir aquelas tarefas para que o resultado fosse cumprido.

Resultado? Virei empreendedor. Encontrei sócios que tinham a mesma gana que eu e foi ótimo começar um negócio e dedicar 110% para que ele desse certo.

Acredito que muitos empreendedores acabam tendo uma história parecida até aqui.

O desafio de verdade vem agora.

Inevitavelmente, se o seu negócio começa a dar certo, você precisará crescer. Crescer em faturamento, crescer em número de clientes, crescer em produtos. E tudo isso geralmente vai implicar em: crescimento de equipe.

Nesse momento o empreendedor se encontra com alguns personagens comuns no mercado de trabalho: o OPERÁRIO, o EMPREGADO, o FUNCIONÁRIO e o COLABORADOR.

O mundo do RH tem mudado os vários nomes que damos para as pessoas que trabalham nas nossas empresas: Operários (quem opera uma máquina), Funcionários (quem desempenha uma função), Empregados (quem tem um emprego) e mais recentemente Colaboradores (quem colabora para o crescimento da empresa).

Cada uma dessas definições tem um objetivo de comunicação, transparece a cultura da empresa e determina como a empresa enxerga aqueles que trabalham nela. Esses rótulos também tem uma ligação com o momento em que surgiram.

Os termos Operário, Funcionário e Empregado colocam as pessoas que trabalham na empresa como simples parte do processo. Se eu opero a minha máquina, não preciso me preocupar com as demais atividades da empresa. Se eu faço a minha função, não preciso me preocupar com as funções dos demais. Meu objetivo é o meu emprego e não o sucesso da empresa. Por outro lado os colaboradores tem a principal função de colaborar com o desenvolvimento da empresa. Se a empresa não vai para frente é problema de todo mundo.

Em uma startup ou um novo negócio, não existe espaço para Operários, Funcionários e Empregados. Por razões óbvias. A empresa é tão pequena e com tão poucos recursos que se a equipe não tiver cabeça de dono, o negócio tem dificuldade de crescer.

Por isso hoje mais do que colaboradores, entendo que as pessoas que trabalham em uma empresa precisam ter o papel de EMPREENDEDORES dos negócios que participam.

E para que isso aconteça, existe uma via de mão dupla.

Se por um lado cabe a cada um se posicionar como interessado em desenvolver o negócio, muito mais do que simplesmente bater o cartão e exercer suas funções enquanto está dentro do horário de trabalho. Por outro cabe aos líderes inspirarem e darem abertura para que toda a equipe se sinta empoderada e tenha autonomia para construir com a empresa.

Esse é o grande desafio do crescimento. Quando as empresas começam a sair do grupo de sócios e precisam crescer a equipe, em geral começam a colocar funcionários na empresa. Uma empresa com funcionários sempre vai perder de uma empresa só com empreendedores. Por isso as startups estão acabando com grandes empresas em todo o mundo.

Não importa se você está no contrato social ou não da empresa. Você precisa ser um empreendedor. Do próprio negócio ou do negócio que paga o seu salário.

E não importa se você é o dono da empresa ou um chefe de área, você precisa contratar e inspirar apenas empreendedores. E já adianto, empreendedores questionam, mudam o processo e são mais difíceis de gerir. Mas geram muitas vezes mais resultados.

Ninguém provoca nenhuma mudança significativa no mundo sozinho. As grandes mudanças são provocadas por empreendedores que inspiram outros empreendedores a trabalhar com eles.


Gostou do post? Quer saber mais sobre os nossos programas?

Acesse http://bizcool.com.br/

By | 2018-11-06T10:16:10+00:00 novembro 6th, 2018|empreendedorismo|