Recentemente a Startup Genome, empresa californiana que atua globalmente criando, nutrindo e gerindo ecossistemas de startups, lançou o Global Startup Ecosystem Report 2019, um dos mais importantes estudos globais sobre os principais polos de inovação no mundo. Apesar de nenhuma cidade brasileira figurar entre os 30 primeiros maiores ecossistemas de startup do mundo (que tiveram uma análise mais profunda), fiquei muito feliz em ver a cidade de São Paulo como um dos destaques, e vou contar pra vocês neste texto os principais pontos comentados pelo material.

Challenger Startup Ecosystems

A cidade foi reconhecida por ser um dos ecossistemas em ascensão e extremamente promissor, juntamente com outras importantes, conforme pode ser observado a seguir:

O estudo dividiu os ecossistemas de startups em 4 grandes estágios: Ativação, Globalização, Atração e Integração. Basicamente, os critérios analisados para definição dos estágios dos ecossistemas são o número e a maturidade das startups, a disponibilidade de recursos para as mesmas, penetração de mercado, qualidade dos profissionais e taxa de sobrevivência das startups. O gráfico a seguir ilustra bem estes ciclos:

O estágio de globalização foi desmembrado pelos autores entre early e late-globalization, como ‘early’ sendo mais inicial e ‘late’ mais maduro. São Paulo, a única cidade brasileira citada no report de quase 200 páginas, tem seu ecossistema classificado como late-globalization. Para vocês terem uma ideia, cidades como Madri e Tokyo constam na fase de early globalization. Dividindo a categoria ‘late’ com São Paulo, estão cidades como Miami nos EUA e Sidney na Austrália.

Isso mesmo, estamos num mesmo estágio de maturidade de duas cidades que figuram na lista dos 30 maiores ecossistemas de startup do mundo. Talvez estejamos muito próximos de entrar neste top-30, mas ainda precisamos evoluir muito, principalmente no que diz respeito ao investimento em startups early stage. Em média, nossas startups early stage levantam US$85.000,00, enquanto a média mundial é de US$280.000,00.

Já os destaques ficam por conta dos setores de fintech e life sciences. São Paulo é o centro econômico do Brasil e casa das principais instituições financeiras. O report fez questão de citar Nubank e Stone como cases de sucesso dentro deste tema. Já na parte de life sciences, o principal tema é o de cuidados com a saúde. O Brasil é o maior mercado de saúde na América Latina e 7o maior no mundo!

Por fim, destaco aqui também que São Paulo figurou no top-10 mundial na categoria “Affordable Talent”, que traduzindo para o Português seria como “Talentos Ace$$íveis”, e o Valuation das startups de Sampa superou a média dos ecossistemas globais em US$100 milhões (5.1bi vs 5bi).

Veja o resumo do panorama de São Paulo dentro do Ecossistema mundial, trazido pelo Global Startup Ecosystem Report 2019:

Alguns outros dados que acho interessante destacar no relatório:

  • O “PIB” de todas as startups no mundo (gigantes de tecnologia como Apple e Google não entram nesta conta) entre jan/2016 e jun/2018 foi de US$2.8 trilhões!
  • Dos 30 principais ecossistemas de startup no mundo, 14 estão na América do Norte (12 nos EUA e 2 no Canadá), 9 na Europa e o restante está dividido entre China, Israel, Austrália, Cingapura, Índia.
  • Amsterdam foi a cidade que apresentou o maior crescimento comparado ao ranking do ano passado.
  • O Silicon Valley, ou Vale do Silício, mantém a primeira posição do ranking desde 2012, sendo esta região a maior ‘produtora’ de unicórnios do mundo, e berço de gigantes como Google, Apple, Netflix, Airbnb entre outras.
  • Dentre as 30 primeiras, Chicago é a cidade que possui o maior % de mulheres fundadoras de startups (mais de 25%). A título de comparação, Paris tem apenas 8%.

Por fim, vale revelar quem são os 30 maiores ecossistemas de startup do mundo: