Hoje em dia é cada vez mais difícil encontrar alguém que não ouviu falar de startups, mas constantemente recebo dúvidas em relação ao tema.

Porque isso acontece? Porque hoje o tema está em alta e por isso existem várias definições e interpretações sobre o assunto. Assim resolvi organizar a visão da TroposLab sobre o que são startups.

Vou começar trazendo duas definições clássicas. A primeira é do empreendedor, pesquisador e professor Steve Blank (entre outras coisas criador aa metodologia Customer Development):

Startup é uma organização temporária projetada para buscar por um modelo de negócios escalável e repetível que atua num ambiente de extrema incerteza.

E a segunda do empreendedor serial Eric Ries (entre outras coisas autor do livro Lean Startup):

Uma startup é uma instituição humana desenhada para criar um novo produto ou serviço em condições de extrema incerteza.

A visão do Steve Blank, mais clássica, entende que startups estão em busca de modelos repetíveis e escaláveis, ou seja, modelos que possuem custos de produção e distribuição / venda muito baixos.

Um modelo repetível é aquele que não existe um grande custo para construção de novos produtos e/ou execução de serviços (os softwares por exemplo se encaixam muito bem nesse conceito, uma vez que, após a criação do código, replicar aquele código para entregar para outros 1.000 clientes tem um custo próximo de zero).

Já um modelo escalável, é aquele que para executar a venda os seus custos não crescem na mesma proporção que o número de vendas (as vendas online se encaixam perfeitamente nesse conceito, já que o custo para 1 ou 1.000 vendas é parecido uma vez que não há lojas físicas ou vendedores).

Segundo esse conceito, as startups seriam basicamente os negócios que desenvolvem produtos virtuais com distribuição/venda também virtual.

Hoje entende-se que classificar um negócio como repetível e escalável não é um binômio com SIM de um lado e NÃO do outro e sim uma escala entre modelos mais ou menos repetíveis ou escaláveis.

Por exemplo como acontece a escala entre um modelo mais ou menos repetível:

  • A produção industrial de um produto é mais repetível do que um modelo artesanal.
  • A produção industrial automatizada é mais repetível do que uma produção industrial apoiada em mão de obra intensa
  • A produção industrial a partir de bases comuns para vários produtos (como o arduíno na eletrônica) é mais repetível do que um modelo com bases customizadas para cada produto.
  • Um produto virtual com base em software é mais repetível do que um produto físico com base em hardware.

Da mesma forma podemos fazer essa análise para o quanto um modelo é escalável:

  • Um modelo de vendas presenciais massificadas é mais escalável do que um modelo de vendas presenciais customizadas.
  • Um modelo de vendas a distância é mais escalável do que um modelo de vendas presenciais.
  • Um modelo de vendas no formato self-service (quando o cliente escolhe, paga e leva o produto sozinho) é mais escalável do que o formato de venda assistida (quando um vendedor participa da venda)

Já a visão do Eric Ries é mais ampla nesse ponto, fala apenas de criação de produtos em condições de extrema incerteza, ou seja inovações disruptivas.

Nesse conceito, mesmo que você crie um produto pouco escalável ou pouco repetível você pode ser classificado como uma startup se o seu negócio for diferente de tudo o que já existe. Por exemplo uma empresa que cria uma vacina para tratar a dependência de cocaína não é nem repetível nem escalável, mas se encaixa no conceito de startup do Eric Ries.

E por outro lado, mesmo que o seu modelo seja repetível e escalável, mas ele seja a cópia de várias outras coisas que já existem, não faz sentido chamá-lo de startup. Por exemplo hoje alguma empresa que cria um marketplace para comercialização de produtos diversos como o Mercado Livre, OLX, etc, não deve ser considerada uma startup, pois o ambiente de incerteza não existe mais, hoje esse modelo já é conhecido e validado.

Outro ponto importante de destacar é que nenhum dos dois conceitos utiliza a palavra EMPRESA. Isso é justamente porque startup é uma fase do desenvolvimento de um negócio inovador, ou seja, o objetivo de toda startup é justamente encontrar o seu modelo de negócio e a partir dai se posicionar como uma empresa.

Claro que existe uma ressalva a ser feita nesse ponto, hoje o termo startup está em alta, e por isso, várias empresas gostam de se posicionar como startups. Empresas como Facebook, Amazon, Google não são mais startups a muito tempo, mas mantém elementos da cultura startup e por isso gostam de usar esse termo ao se posicionarem.

Hoje o mercado tem tendido mais a utilizar o conceito mais aberto do Eric Ries, tratando como startup todo e qualquer negócio inicial (mesmo sem CNPJ) com um modelo e/ou produto inovador. É preciso lembrar também que esses limites são confusos ou você acha que é fácil determinar quando um negócio deixa de ser inicial ou a partir de que momento que ele se torna inovador?

Mas se esses limites são confusos como eu vou saber se a minha empresa é ou não uma startup ou se a empresa que eu estou contratando é ou não uma startup?

A verdade é que isso importa pouco. O que você precisa se preocupar é em usar na estratégia do seu negócio, conceitos importantes do mundo de startup como pensar modelos mais simples e baratos, errar rápido e aprender com o erro, pensar maneiras inovadoras de se desenvolver um novo produto ou serviço, estar próximo do cliente e ter métricas para todas as suas etapas.