UMA BREVE HISTÓRIA DO ECOSSISTEMA DE EMPREENDEDORISMO DE MINAS GERAIS (PARTE 1)

UMA BREVE HISTÓRIA DO ECOSSISTEMA DE EMPREENDEDORISMO DE MINAS GERAIS (PARTE 1)

Para construir um futuro diferente é preciso entender o passado que nos trouxe até aqui.

Hoje, vivemos um hype onde startups são a bola da vez.

  • Universitários querem abrir uma startup para não ter chefes e/ou crescer profissionalmente com mais liberdade.
  • Executivos mais experientes querem abrir o próprio negócio por enxergarem oportunidades que as empresas onde trabalham são lentas demais para aproveitar.
  • Universidades veêm as startups como a grande chance de finalmente construir a famosa ponte que aproxima a tecnologia do mercado.
  • Grandes empresas depositam no Corporate venture a esperança de se reinventarem e não terem o mesmo destino que tantas outras empresas que foram engolidas por novos negócios mais rápidos, mais inovadores e mais eficientes.
  • O governo, cria programas de empreendedorismo para alavancar o desenvolvimento econômico e social

Como alguém que vive esse mundo há alguns anos, ficamos super empolgados em viver o futuro que imaginamos e ajudamos a construir, mas nos sentimos na obrigação de compartilhar com outros, que talvez tenham entrado nesse mundo a pouco tempo e talvez não tenham a visão do todo.

O objetivo desse material, é compartilhar a nossa visão da história de empreendedorismo (em Minas Gerais, onde convivemos mais) e quem sabe inspirar novas iniciativas que construirão a história dos próximos 25 anos.

Ressaltamos que a história que vamos contar é um recorte (como qualquer história é) sobre o nosso ponto de vista. Com certeza existem inúmeras inciativas não descritas nesse material, mas encarem esse post como um MVP de algo maior, mais completo.

Vamos inclusive dividir em vários posts, contando pedaços da história até chegarmos na visão do todo em relação ao que enxergamos dos últimos 25 anos do ecossistema de empreendedorismo. Nosso primeiro post, vai contar sobre a história da aceleração de novos negócios em Minas Gerais.

Bem, vamos começar?

Para se criar um relato histórico, é preciso escolher um ponto de partida. Escolhemos o ano de 1992, não porque hoje em 2017 completamos 25 anos (embora tenha a data tenha encaixado muito bem para termos um número mais redondo), mas sim porque nessa data começou aqui em Minas Gerais a primeira era importante para discutirmos empreendedorismo inovador: a era das incubadoras. Nosso foco é contar a história do empreendedorismo tecnológico e por isso faz muito sentido começar a contar a história a partir daí.

O empreendedorismo tecnológico pode surgir e se desenvolver de formas diferentes dependendo do ecossistema. No vale do silício por exemplo, ele surgiu nas garagens com jovens empreendedores que beberam da fonte de anos de desenvolvimento tecnológico impulsionado por investimentos tecnologias como microchips para atender a indústria bélica americana.

Em Minas Gerais, o empreendedorismo tecnológico também nasceu nas universidades. Ao longo da história, grandes indústrias se instalaram na região gerando demanda de mão de obra cada vez mais especializada, sendo puxada por indústrias como mineração, agronegócio  e indústria têxtil. As universidades cresceram para atender essa demanda e se espalharam pelo estado, até porque o estado possui características diferentes em cada uma das suas diversas regiões. Só para se ter uma ideia o estado possui hoje XX universidades federais. O desenvolvimento das universidades, trouxe também o desenvolvimento das pesquisas e logo as universidades começaram a despontar dentro do cenário científico competindo nacionalmente com as universidades de São Paulo e Rio de Janeiro.

No entanto, desenvolvimento científico e empreendedorismo, não necessariamente caminham juntos. Na verdade, durante muitos anos e ainda hoje em muitos lugares, são caminhos opostos. O caminho natural do desenvolvimento científico é o desenvolvimento de artigos científicos.

Tentando quebrar essa cultura, os núcleos de inovação tecnológica (NITs) surgiram para aproximar a tecnologia do mercado. Ajudando pesquisadores, empreendedores e alunos a realizar projetos em parceria com empresas, transferir suas tecnologias ou até abrirem o seu próprio negócio para desenvolver produtos que materializem a tecnologia para o público final. É ai que entram as incubadoras.

Incubadoras são instituições que oferecem elementos para o desenvolvimento de novos negócios (espaço de trabalho, consultoria, acesso a empresas, acesso a tecnologias, etc). Elas não são restritas a universidades, embora é lá que a grande maioria delas está. Hoje, a maioria das universidades públicas possui uma incubadora.

No seu surgimento, e em muitos lugares até hoje, as incubadoras enfrentam um primeiro desafio “dentro de casa”. O mundo de negócios é mal visto por alguns pesquisadores gerando preconceito com pesquisadores-empreendedores que além de fazer pesquisa, decidem desenvolver os seus negócios. As incubadoras de universidades sofreram (em alguns casos sofrem) esse preconceito institucionalmente e assim, muitas vezes operam com recursos limitados para desenvolverem suas atividades.

Também por nascerem nesse ambiente universitário, a visão de negócio das incubadoras é diferente.  Em geral, o modelo de negócio de uma incubadora em Minas Gerias funciona da seguinte forma. Ela recebe verbas da universidade dentro de um orçamento pré-definido, e com essa verba oferece espaço, capacitações, realiza eventos e desenvolve estudos par ao desenvolvimento dos negócios incubados. É comum que os negócios incubados paguem uma taxa/mensalidade para ter acesso a esses benefícios, além de terem passado por algum tipo de processo de seleção. No entanto, essa taxa/mensalidade ainda é, na maioria dos casos, inferior aos próprios custos de operação das incubadoras e por isso essas instituições são financeiramente deficitárias em sua maioria.

As incubadoras, surgiram e já operavam muito antes do desenvolvimento de metodologias hoje consagradas no mundo de empreendedorismo, como Business Model Canvas, Design Thinking ou Customer Development. Por isso, as metodologias de desenvolvimento de negócios passavam por fases como estudos de desenvolvimento tecnológico e comercial (EVETEC por exemplo) que geravam planos de ação pautados em Balance Score Cards, Matrizes SWOT, entre outros.

As incubadoras surgiram quebrando a primeira e mais importante barreira, a cultura empreendedora dentro do mundo da tecnologia e até hoje cumprem esse papel importantíssimo dentro do ecossistema.

Todas essas incubadoras estão ativas até hoje e continuam ajudando empreendedores que surgem ou estão conectados a universidades.

Era das Incubadoras

By | 2018-03-12T11:51:09+00:00 novembro 28th, 2017|empreendedorismo|