Em várias áreas da nossa vida temos tido a oportunidade de viver uma mudança de era. Muito do que estávamos acostumados até poucos anos atrás já não vale. A forma com que consumimos informação, que nos relacionamos com as pessoas ou mesmo a forma que nos locomovemos já não são as mesmas. Essa mudança também aconteceu na forma com que gerimos empresas. Hoje qualquer startup já nasce aplicando desde o dia zero ferramentas como canvas ou design thinking e construindo MVPs para aprender e se relacionar com os clientes. Isso tem causado incômodo (um incômodo bom) a grandes empresas, que tem se movimentado para acompanhar essas mudanças e trazer esses novos conceitos, metodologias e formas de pensar para dentro de seus negócios tradicionais. 

No entanto, pelo que tenho vivenciado, dentro do mundo do empreendedorismo tem acontecido o que acontece em várias outras áreas da nossa vida: o encantamento do novo nos faz desprezar, ou pelo menos esquecer, os aprendizados que já existiam nessa área.

Não foram as startups que inventaram o empreendedorismo. Muita gente já cresceu e deu muito certo antes delas.

Não foram as startups que inventaram a inovação. Temos milênios de histórias de novos produtos, serviços e modelos antes delas.

Calma, sou um grande defensor da forma de pensar que o mundo das startups trouxe (afinal de contas é isso o que a Troposlab entrega para os seus clientes), mas gostaria de listar 5 pontos em que tenho visto os empreendedores de startups patinarem e em que eles se beneficiariam no contato com empreendedores mais tradicionais.

1- Empresas existem para darem lucro

Muitas startups tem como tese de crescimento a aquisição gratuita de usuários na busca enfreada por um crescimento acelerado para que, um dia, quando tiverem um número significativo de usuários, comecem a pensar na melhor maneira de ganhar dinheiro.

Não faltam cases de sucesso de startups com essa proposta na cabeça dos empreendedores: Facebook, Whatsapp, Youtube, Waze, etc. Mas qual é o problema? Para essas darem certo, milhares de outras fracassaram no caminho. 99% dos negócios deveriam pensar em crescer monetizando (ganhando dinheiro) e, caso vejam uma possibilidade, aí sim, poderiam pensar em modelos free, freemium, etc. 

2- A forma mais eficiente de captar investimento é conseguindo vender os seus produtos ou serviços

O investidor de startups virou um ser mitológico que irá aparecer do nada e salvar a empresa. Ele virou a solução de todos os problemas financeiros do início de qualquer negócio. Não tenho um produto? Sem problema, faço uma captação anjo. Não tenho uma estrutura de venda? Sem problema, vamos captar o investimento seed. E por aí vai.

Além das dificuldades óbvias de se captar investimento para um negócio que não vende, existem todos os problemas relacionados à presença de muitos investidores em um mesmo negócio.

A preocupação de todo empreendedor em primeiro lugar deveria ser gerar uma receita maior do que os seus custos, para aí sim pensar em atrair investimento.

3- A planilha financeira é tão importante quanto o pitch

Fluxos de caixa matam empresas. 

Se nos primeiros meses do negócio o desconhecimento do cliente e as brigas entre empreendedores são as principais causas de fracasso das startups, nos meses e anos seguintes o mal planejamento financeiro é quem mata empresas e empreendedores promissores.

Cuide da sua planilha financeira com o mesmo cuidado que você cuida do seu pitch.

4-  Os empreendedores das empresas precisam receber sobre o que trabalharam

  • “Meu negócio atingiu o break even em três meses.
  • E qual é o seu salário?
  • Eu e o meus sócios não ganhamos nada. Estamos investindo o nosso tempo na construção da empresa.”

Nesse caso, me desculpe, mas a sua empresa ainda não para em pé. Se ela não tem condições de pagar o salário das pessoas que trabalham nela, ainda não é um negócio sustentável.

Nos negócios tradicionais é impensável para um empreendedor trabalhar em um negócio que não tenha condições de pagar o custo de vida dele e dos seus sócios.

5- Existem concorrentes para todos os lados

“Ninguém pensou em um produto igual ao meu, não tenho concorrentes, estou em um oceano azul.”

Por mais inovador que seja o seu produto, todo mundo tem concorrência. Sejam outras soluções que resolvem o mesmo problema, seja a concorrência pelo orçamento ou tempo do seu cliente.

Da mesma forma que os negócios tradicionais conhecem e respeitam os próprios concorrentes, vá atrás de saber tudo sobre os seus. 

As startups vieram com muitos aprendizados para as empresas tradicionais, mas se dará bem no futuro quem conseguir combinar da melhor maneira as novas metodologias com os séculos de aprendizados disponíveis para todos.

Quer saber mais sobre empreendedorismo e inovação? Não deixe de acompanhar as novidades em nossas redes sociais e também em troposlab.com