Olhe o seu celular. Ele é único no mundo.

Sim, ele é de uma marca e modelo que possui milhares ou milhões de aparelhos “iguais” no mundo inteiro, mas o seu é único. Se você tiver que achar o seu aparelho no meio de outras dezenas de aparelhos da mesma cor, modelo e estado de conservação, você provavelmente irá achar o seu sem grandes dúvidas.

O fundo de tela, a ordem dos aplicativos e mesmo os aplicativos instalados, provavelmente, só existem dessa maneira no seu celular. Portanto, ele é único.

Com essa opção de apps, os fabricantes hoje conseguem entregar um produto único, customizado e que atende as demandas especÍficas daquele cliente.

A tendência é que cobremos esse tipo de customização de todas as marcas que compramos. 

  • Queremos escolher as músicas que consumimos e não aceitar as músicas desconhecidas para ter acesso ao grande hit.
  • Queremos escolher os canais e não engolir canais religiosos ou de documentários chatos para completar o nosso pacote de 100 canais.
  • Queremos montar uma refeição com comidas de dois ou mais restaurantes diferentes (ou montar a nossa caixa de bombons só com os nossos favoritos, como mostramos nesse post aqui)

Hoje, para os produtos digitais, essa customização já é tecnicamente possível e barata, só é necessário criar modelos de negócio para isso.

No mundo offline, isso deve acontecer nas próximas décadas, de forma cada vez mais intensa. 

Existe uma grande esperança em relação às impressoras 3D.  A cada ano elas ficam mais baratas, mais rápidas, imprimem mais materiais, constrõem produtos com maior qualidade. Em pouco tempo você poderá chegar em uma loja de roupas, por exemplo, escolher o seu modelo, ajustar as medidas, mudar a cor, a gola e outros vários pontos, e assim sair com um produto único e feito para você.

A Arevo (https://arevo.com), por exemplo, já imprime objetos como bicicletas em fibra de carbono. Com materiais dessa qualidade, as oportunidades são infinitas.

Mesmo sem as impressoras 3D, a migração das compras para o mundo online permite a inversão do processo de produção. É possível, para alguns tipos de produto, inverter a ordem de compra e produção para evitar mercadorias que ninguém quer comprar e ficam presas nas prateleiras. A automatização de processos permite cada vez mais uma descentralização da produção, já que não exige necessariamente de mão de obra treinada. Isso possibilita uma pós-produção mais próxima aos clientes.

A comunicação com eles tende a ser cada vez mais customizada também. O desenvolvimento das tecnologias de aprendizado de máquinas permite cada vez mais experiências customizadas. Hoje já muito presentes no mundo online, com propagandas e recomendações de outros produtos. Essa tecnologia tende a chegar no mundo offline com a mesma força.

Pode ser que não caminhemos exatamente para a realidade do Minority Report, onde scaners espalhados pela rua lêem a nossa retina para nos mostrar propagandas, mas os celulares e redes sociais já reconhecem os nossos rostos. Para criar algo personalizado é só instalar câmeras pelas ruas com esses softwares por trás.

E não devemos esperar apenas coisas boas desse mundo customizado. Hoje nas redes sociais já temos uma exposição enviezada a conteúdos e opiniões próximas a nós. Quando essa customização atinge o mundo offline, esse efeito só aumenta. A frustração de um produto que não serve direito ou um produto que não é bem o que esperávamos faz parte do nosso aprendizado. E isso tende a diminuir.

Quer você queira, quer não, a customização tem ganhado cada vez mais força. Cabe a nós nos adaptarmos, anteciparmos as tendências e os problemas que irão surgir. Afinal de contas, todos temos que pensar em construir soluções para o futuro e não para o presente.