Se você quiser explorar um mercado inexplorado basta ter uma ideia inovadora, conhecer os seus clientes e resolver um problema relevante, certo? Infelizmente não é bem assim. Ser pioneiro não é sinônimo de sucesso, mesmo que o seu produto esteja 100% alinhado com o cliente.

A história do empreendedorismo é repleta de casos de negócios que desbravaram os seus mercados abrindo a porta para novos players que cresceram mais do que os pioneiros e muitas vezes acabaram com os seus antecessores.

Em 2010, tive a oportunidade de acelerar uma startup chamada Pagme Taxi, 2 anos depois em um Startup Weekend surgiu o Easy Taxi e meses depois o 99 Taxi e dezenas de outros concorrentes, não só no Brasil como no mundo.

Analisando especificamente o Brasil, hoje basicamente só se fala de 99, quando pensamos em aplicativos para taxis (com alguns pequenos concorrentes de cooperativas específicas).

Como uma vantagem de 2 anos não foi suficiente para o Pagme Taxi crescer e dominar o mercado? Como o Easy Taxi perdeu o posto de líder absoluto de mercado?

Uma das respostas certamente está na estratégia de marketing dessas startups.

O marketing para as startups

No mundo das startups criou-se um tipo de estratégia de marketing diferente chamada de Growth Hacking. Uma série de estratégias de usar o próprio produto e a sua base de clientes para conseguir “hackear” o crescimento, atraindo clientes de forma mais rápida e barata.

Quando bem sucedido, esse tipo de estratégia permite empresas como o Whatsapp chegar em 97% dos usuários de smartphones no Brasil, sem nunca ter feito uma única propaganda em nenhum tipo de mídia tradicional.

Mas infelizmente esse não é um caminho fácil ou mesmo uma estratégia viável para muitas dessas startups. Principalmente quando entram investidores e o jogo de gente grande começa.  A verdade é que muitos negócios B2C (com foco no grande público como cliente) precisam de grandes bases de clientes e/ou usuários para se manter relevantes. E na maioria dos casos, a forma mais eficiente das startups fazerem isso é queimando dinheiro em marketing de forma inteligente.

No caso dos aplicativos de taxi que eu citei em cima, durante os meses/anos de disputas de mercado entre a Easy Taxi e a 99 Taxi, víamos propagandas da 99 em rádio e televisão, outdoors de ônibus, patrocínio em camisas de futebol e vários outros locais. Enquanto a Easy Taxi se mantinha uma plataforma que atendia o mesmo público inicial.

Claro que nessa salada temos a estratégia de cada empresa, a Easy Taxi estava preocupada em se espalhar pelo mundo enquanto a 99 em dominar o Brasil.

Mas o ponto é, para sair do seu público inicial, a melhor maneira que você terá de fazer isso é através do marketing e muitas vezes usando as mídias “tradicionais”.

Hoje, vemos uma disputa parecida. O Nubank cresceu, dominou mercado e se posicionou como um cartão de crédito diferente. Durante o seu crescimento viram a oportunidade de criar uma conta bancária mais inteligente e assim nasceu a Nuconta.

Vindo de um outro ramo dentro das Fintechs, o PagSeguro lançou recentemente a PagConta, com o mesmo propósito da Nuconta. Mas está em todos os canais de televisão sendo representados por Michel Teló, Wesley Safadão e companhia. Por mais que eu seja fã do Nubank, aposto minhas fichas na conta digital do Pagseguro. Esse mercado ainda está se formando e a educação massiva está sendo feita por eles, por meio das estratégias de marketing. Talvez o Nubank tenha aberto a porta, mas tem gente aproveitando melhor o mercado.

Sou sempre o primeiro a defender as startups e suas novas metodologias e estratégias, mas o mercado não escolhe a metodologia nova ou antiga, e sim o que traz resultado ou não.

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