Hoje vim para Curitiba fazer mentoria com 10 startups que participam de um programa de aceleração da Troposlab. Logo pela manhã recebi uma mensagem no whatsapp me lembrando de fazer o check in, algo que me tomou menos de 2 min e fiz enquanto tomava o café da manhã.

Como precisava decidir o que ia na mala, entrei no app de tempo do meu celular e vi que pegaria entre 15º e 23ºC. Decidi levar apenas uma blusa de frio.

De BH para Confins, resolvi ir de carro mesmo. Mas não sem antes ligar o Waze para ter tranquilidade do tempo do percurso e não correr o risco de pegar um trânsito não programado. Era dia de jogo da Copa América e um dos meus caminhos possíveis passa perto do Mineirão. Cheguei sem maiores problemas no aeroporto.

Esperando para pegar o vôo me atualizei das discussões nos meus grupos de família, amigos e trabalho. Que bom. Mesmo já em “horário de trabalho”, consegui fazer o que faria normalmente em um final de semana. Inclusive, esse final de semana, o grupo com meus sócios funcionou bem, pois estávamos decidindo como lidar com uma urgência para segunda-feira. Mesmo hoje, em que estamos espalhados em 3 cidades diferentes, conseguimos nos manter próximos para lidar com essa situação da mesma forma que se estivéssemos os 4 em BH.

Aliás, todos os outros passageiros também não estavam entediados com a espera do vôo, alguns trocavam mensagens, outros tiravam as últimas fotos para guardar as lembranças da viagem e um grupo de jovens inclusive transmitia em tempo real os malabarismos que faziam nas esteiras do aeroporto.

Para mim, que estou tão acostumado a viagens, algo novo: estou testando viajar pela primeira vez apenas com o tablet. Estou sem o notebook e todos os outros pertences que geralmente me fazem viajar com uma mochila, além da usual mala com roupas e utensílios de higiene pessoal. Afinal de contas, todos os meus arquivos hoje estão na nuvem.

Dentro do avião, a televisão individual me permitia assistir a dezenas de canais de TV a cabo, e se eu tivesse escolhido outra companhia, poderia ter à disposição centenas de filmes, séries e jogos ou até acesso a wifi. E mesmo que não tivesse essas opções, minhas soluções de streaming me permitem fazer download de filmes e episódios de séries. De novo, com exceção do fato de estar longe da minha esposa e do conforto do meu sofá, meu dia foi bem próximo do que seria, mesmo estando em translado para outro estado.

Em Curitiba, mesmo sem ter nenhuma familiaridade com a cidade, não tive problemas em chamar um Uber que me levou até o Airbnb que reservei. Como não tenho problemas em ter um pouco menos de conforto durante dois dias, preferi a opção de alugar um studio pela metade do preço de um quarto de hotel. Inclusive meu jantar foi no próprio quarto, já que aqui, como em todas as capitais já existem empresas como iFood, Uber Eats e/ou Rappi que nos conectam com comida 24 horas por dia.

Essa reunião é presencial, mas todas as outras serão feitas à distância. Afinal de contas, já existem opções mais do que suficientes para conseguir manter a conexão remota (skype, hangout, appear.in, etc), o que barateou absurdamente a nossa estrutura de custo e nos permite hoje atender clientes em quase todos os estados brasileiros.

Essa situação descrita, de um dia da minha vida, seria absurdamente diferente 10 anos atrás. Esse teria sido um dia estressante, improdutivo, eu me sentiria isolado e provavelmente não teria tempo ou recursos para escrever esse texto.

A tecnologia permitiu isso tudo, mas note que o foco do meu texto foi sempre nos problemas ou oportunidades que essas soluções resolveram. Estamos acostumados a observar os produtos, mas a verdadeira revolução está nas mudanças de comportamento que eles causam.

E não pense que essa revolução acabou. Exatamente porque não faltam problemas para serem resolvidos. Por exemplo:

Na hora de embarcar continuamos fazendo filas enormes e, independente da estratégia, todas as companhias que eu já conheci falharam em proporcionar uma experiência mais agradável nesse momento.

Ao me ver refletido no vidro, vi que a minha barriga continua crescendo e essa é a realidade de boa parte dos brasileiros. Quando não vamos mais precisar nos preocupar com as questões estéticas e de saúde relacionadas a pessoas acima do peso?

Quase não consegui pagar o meu almoço pois a máquina de celular do atendente estava com um problema para ler o chip. O dinheiro físico já quase não é usado, os cartões estão indo para o mesmo caminho?

Enfim, minha grande sugestão é: pare de se preocupar com as soluções, entenda os problemas e comece a você também a criar o novo mundo pós revolução digital e as outras que estão chegando.