Dentro dessa era dos podcasts, as rádios estão se adiantando em relação ao movimento que aconteceu na televisão e ao invés de esperar que surja um Netflix do áudio que acabe com todas elas, começaram a se “podcasterizar”, ou seja, disponibilizar os seus conteúdos no formato de podcast e assim crescer sua audiência nesse novo formato antes que ele a engula.

Dentro desses podcasts, uma das playlists apresenta clássicos comentários do Max Gehringer, colunista do mundo executivos há muitos anos na rádio CBN. E um episódio me chamou a atenção, clique aqui se quiser ouvir.

Grande parte dos comentários continuam impressionantemente atuais, mas quando citam elementos tecnológicos a data do comentário original fica clara. Nesse episódio em especial ele fala sobre o problema dos “correios eletrônicos pessoais e o poder ou não de interferência das empresas”.

É curioso como isso nos soa estranho hoje em dia. Nossos e-mails realmente não são mais utilizados para envio de correntes com power points e piadas, muito menos os nossos e-mails pessoais.

Mas os nossos celulares são.

Os meios tecnológicos mudaram, mas o esforço infrutífero das empresas em restringir as conversas dos seus funcionários (durante o horário de trabalho) a questões do trabalho continuam.

  • Quantas empresas tem seus computadores bloqueados para sites como Youtube para que seus funcionários não se percam ao longo do dia?
  • Quantas empresas tem o wi-fi permitido apenas para os computadores de trabalho e não para o acesso pessoal de seus funcionários, não só por questões de segurança, mas também para evitar dispersões durante o dia?
  • Quantas empresas forçam o uso de ferramentas de comunicação não intuitivas para seus funcionários para que evitar o tempo gasto com o WhatsApp?

E para cada exemplo de restrição, existem outros tantos exemplos de formas de se burlar bloqueadores de site; senhas de internet compartilhadas pela TI ou por diretores; chefes que burlam o comunicador oficial quando precisam de uma tarefa no domingo a noite.

O que foi acontecendo ao longo dos anos foi que as tecnologias mudaram, mas o comportamento de funcionários e empresas não.

Até que veio março de 2020 e de uma hora para outra todo mundo foi trabalhar de casa, sem os bloqueadores de sites, sabendo a senha do wi-fi. E usando o Whatsapp até que a empresa se acostumasse com o Microsoft Teams, Zoom ou Slack.

E não me iludo imaginando que não haja funcionários que usam dessa liberdade para enrolar o dia inteiro ao invés de focar na sua produção, usando desculpas como a qualidade da internet ou a interferência de outras pessoas na casa. Ou empresas que agora, passado alguns meses, desenvolveram formas de tentar exercer o seu controle com pontos eletrônicos ligados ao computador, reuniões mais constantes com o time ou, em casos mais extremos, câmeras ligadas durante todo o horário de trabalho.

O podcast do Max Gehringer tinha um simples objetivo de responder a pergunta de um ouvinte: se a empresa podia ou não ver os e-mails enviados pelos funcionários pelo e-mail da empresa.

Não sei responder essa pergunta, mas acredito que se a empresa precisa fazer isso, está na hora de repensar a maneira com que ela gere os funcionários ou os funcionários que ela contratou.