A Sofia é uma empreendedora de  startups. A empresa dela hoje tem 3 pessoas, ela e mais dois sócios. Pelo número, não faz sentido ter uma sala própria, seja pelos custos, seja pelas diversas tarefas necessárias para se cuidar de um escritório (limpeza, manutenção de internet, etc). No entanto, eles também não enxergam como uma opção trabalhar em casa, seja pela rotina da própria casa, seja para se manterem mais próximos. 

O Gustavo trabalha em uma grande indústria, mas ao invés de passar os seus dias na fábrica, passa de 3 a 4 dias em um coworking. Fazendo reuniões, participando de eventos e fechando parcerias. Ele precisou sair do ambiente da empresa para conseguir construir algo realmente inovador para ela mesma.

O Guilherme tem uma empresa pequena, 15 pessoas ainda, mas optou por montar a sua sede em um ambiente com várias outras empresas. Ele tem o seu espaço separado, mas ainda assim faz questão de conviver com as demais empresas do espaço.

Esses 3 casos são reais. E existem centenas de Sofias, Gustavos e Guilhermes espalhados pelo Brasil.

O que eles tem em comum? Todos escolheram ambientes de inovação como seus ambientes de trabalho ou ao menos como parte da sua rotina. Mas afinal o que são esses ambientes de inovação?

Ambientes de inovação são espaços físicos que combinam locais de trabalho, ambientes de networking, realização de eventos, aceleração de startups e/ou espaços de pesquisa. Sempre com um foco em prover interação entre diferentes agentes do ecossistema de inovação (startups, grandes empresas, universidades, aceleradoras, investidores e governo).

Esses ambientes de inovação são em geral coloridos, abertos e convidativos, mas também costumam ser barulhentos, desorganizados e menos privativos. O intuito é promover a conexão entre pessoas, o que quer dizer que, dependendo da sua escolha, você trabalhará em uma grande mesa com outras 10 que não conhece. O que pode ser ótimo para que você troque ideias com pessoas de áreas completamente diferentes.

Alguns exemplos mais conhecidos de espaços/ambientes de inovação são:

Ambientes de inovação são plurais, por isso acredito que existem maneiras diferentes de aproveitá-los:

1- Para empreendedores individuais

Provavelmente se você trabalha sozinho, fica bem mais caro trabalhar em um espaço de inovação. Nesse caso o mais comum é frequentar os eventos e trabalhar alguns dias avulsos desses espaços, quando você possui alguma reunião com clientes por exemplo. Outra alternativa é comprar pacotes que permitam você rodar em espaços diferentes como o pessoal do Beer or Coffee oferece.

2- Para startups iniciais até 5 pessoas

Nesse caso, trabalhar a distância ou utilizando a casa de um dos integrantes começa a ficar incômodo. Os espaços de inovação permitem que você trabalhe em um local mais profissional, com os serviços básicos de manutenção de um escritório, salas de reunião e principalmente networking com outros membros e frequentadores do espaço.

3- Para startups crescendo  (5 a 20 pessoas)

A partir dessa fase um escritório próprio costuma fazer diferença para a cultura e integração do time. Ter um escritório próprio fora dos ambientes de inovação é com certeza mais barato, mas a sua tendência é se isolar do ecossistema e olhar só para dentro da empresa. Nesse caso a melhor opção para aproveitar um espaço de inovação é uma sala privativa. No entanto, fica o alerta para você não se isolar dentro da sua sala e usar o espaço de inovação apenas como um “jardim bonito” da sua sala.

4- Para empresas já consolidadas

Nesse caso é pouco provável que faça sentido a sua empresa habitar por muito tempo um espaço de inovação. Muitos colaboradores, demandas específicas e desafios internos de gestão crescentes. Mas se afastar dos ambientes de inovação pode ser um tiro no pé. Usar esses espaços para reuniões, treinamentos e/ou eventos costuma ser uma boa prática no dia a dia. Outro ponto importante é divulgar internamente e incentivar que os colaboradores frequentem os eventos abertos ao público. Eventualmente, para empresas maiores está se tornando cada vez mais comum o patrocínio e/ou manter uma equipe de inovação dentro desses ambientes.

As grandes empresas que respiram esse movimento a mais tempo tem inclusive criado os seus próprios espaços de inovação.

5- Para colaboradores de empresas já consolidadas

Esse público provavelmente tem sua mesa ou sala dentro de um escritório da empresa e tem suas próprias aspirações de crescimento interno. No entanto, é preciso encarar a própria carreira como algo em constante aprimoramento. Hoje saber de inovação e ter conexões nessa área é cada vez mais importante. Porque não frequentar os eventos desses ambientes ou até mesmo trocar um home office que a sua empresa permite uma vez por semana por um dia de trabalho em um coworking?

6- Para instituições de ensino

Os alunos estão cada vez mais curiosos e interessados em inovação e startups. As instituições de ensino já tem encarado os ambientes de inovação como lugares a serem visitados em excursões, aulas externas ou algum outro formato que faça sentido para a instituição.

7- Para instituições públicas

Hoje, são as áreas mais ligadas a empreendedorismo, tecnologia e inovação que se aproximam desses ambientes. Para aqueles que estão tendo os primeiros contatos com a área, o mais comum são as visitas técnicas, missões ou tours pelo ecossistema, onde os colaboradores dessas instituições conhecem os ambientes e suas iniciativas. Para aqueles que estão a mais tempo, a interação ocorre através da realização de eventos nesses ambientes ou mesmo pela construção de espaços próprios. Os Sebraes e Federações de Indústrias espalhados pelo Brasil tem criado espaços próprios por exemplo.

No fim das contas os ambientes de inovação tem crescido e se espalhado pelo Brasil, cada um com qualidades e defeitos próprios. Participar desse movimento é uma ótima chance de entender e direcionar a onda de inovação e empreendedorismo que tem crescido em todos estados brasileiros.