Empreender é uma tarefa árdua. De longe é o caminho mais desafiador, com mais altos e baixos e todos os números mostram que a chance de fracasso é maior do que a de sucesso.

Empreender uma startup é uma tarefa ainda mais árdua. Além de todos os problemas de um negócio normal, a startup possui um pequeno grande detalhe: não basta o seu negócio dar certo, ele precisa crescer assustadoramente rápido para chamar a atenção dos investidores. E acredite, no mundo das startups, cedo ou tarde, você precisará de investidores para ganhar dos seus competidores.

E é aí que entra o grande problema que as startups enfrentam. Se você não conseguiu enxergar o futuro, dificilmente você irá atrair a atenção de um investidor. Pelo menos não de um bom investidor.

Os investidores estão sempre analisando, fazendo contas e procurando empreendedores capazes de resolver problemas de hoje com ideias do futuro. Porque se essas ideias não são suficientemente inovadoras, a barreira para novos concorrentes é baixa. E, logo logo, o seu mercado vira um oceano vermelho.

Hoje, boa parte dos programas de aceleração de startups, programas de inovação nas empresas e/ou eventos de tecnologia procura negócios com temas como IoT (internet das coisas), nanotecnologia, indústria 4.0, inteligência artificial, impressão 3D, etc, etc, etc.

Justamente porque essas são tecnologias que hoje poucos dominam. Não é mais como o desenvolvimento de e-commerces que já foi uma grande novidade nos anos 2.000, mas que hoje qualquer adolescente consegue fazer.

Hoje, em muitos programas de aceleração vemos ideias boas, mas que já não são tão novidade assim e/ou que não demandam um desenvolvimento tecnológico. Plataformas de conexão de fornecedores, sistemas de conexão de caronas, supermercados online, são só algumas das ideias que tenho visto sistematicamente em todos os programas que passei nos últimos anos.

Talvez na sua região, no seu grupo de amigos, no nicho x, esse problema ainda não tenha sido resolvido, mas dificilmente é algo que seja uma oportunidade de negócio grande o suficiente para um investidor, e, portanto, talvez o seu negócio seja inovador, mas dificilmente será uma startup de sucesso.

Um exemplo claro disso é o boom de fintechs que temos hoje. Quando olhamos no mercado, já temos dezenas de novos negócios tentando criar seus bancos próprios, suas plataformas de empréstimos, seus cartões de crédito e inúmeras outras soluções. Como temos um cenário no Brasil de poucos bancos e um spread bancário enorme, é natural que ocorra isso e que muitos desses negócios encontrem oportunidades para crescer.

Mas vamos imaginar que você vai hoje começar a empreender. Você ainda não tem um negócio rodando, está estudando as oportunidades. Será que faz sentido criar um cartão de crédito? Uma pesquisa rápida sobre meios de pagamento, te mostrará que na China já não se usa nem cartão de crédito, nem dinheiro em muitos lugares. Lá o pagamento é por QR code. Será que o futuro não está por ai?

Criar uma solução de entregas que não tenha diferenciais claros de líderes de mercado como o Rappi, iFood e Uber Eats também não parece fazer sentido. Desenvolver um sistema de “entrega” via impressoras 3D é mais atraente, não?

Enfim, claro que esses são só exemplos. Se tivesse as respostas, estaria eu criando esses negócios, mas a provocação que deixo para os empreendedores é:

Você já procurou a tecnologia que irá liderar o seu negócio no futuro?